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AFROVERSO | O samba-enredo ‘ecoa do povo’.

Compreender o universo do samba e das escolas de samba tem sido um grande desafio. São muitas nuances, ramificações, “poréns”, sem contar o debate sobre gosto. O ponto positivo nisso é que o debate está posto o tempo inteiro, sempre sendo pensado e repensado. Antes de tudo isso, é importante destacar: como chegamos até aqui e quais caminhos tomamos? Como a música de pessoas marginalizadas ganhou tanta força, sabendo das inúmeras dificuldades de representação, sociabilidade de modo geral e agenciamento?

Dos muitos pontos de partida que podemos ter ao tratar de música, negritude e do samba, penso em um Rio de Janeiro não tão distante, há uns 100 – 120 anos atrás, com tantas rachaduras políticas das elites governantes e, ao mesmo tempo, a negritude ocupando os morros, subúrbios e cortiços da cidade. Apesar da ausência de direitos na Primeira República, estávamos ali, presentes nas ruas, ocupando a Pequena África, fazendo os batuques, criando as primeiras movimentações institucionalizadas que poucos anos depois se tornariam escolas de samba. De Tia Ciata a Mano Elói e Ismael Silva. Essas figuras não se conformaram e foram importantes negociadores para essa institucionalização das nossas ações. 

O samba, e tratando dos sambas-enredos, se comportam como uma série de vozes que se agenciaram através da musicalidade, ou seja, o samba-enredo é a forma de comunicação das comunidades e seus artistas. É impressionante como os desfiles tratam ano após ano dos interesses e conhecimentos das comunidades e da própria negritude de acordo com a época. Se separarmos os sambas de tempo em tempo, temos as literaturas de cada época retratadas nas canções, artistas reverenciados, histórias contadas.

Foto Riotur/Reprodução – Portela, 2024.

De “O Caçador de Esmeraldas” até “Um defeito de cor”, o agenciamento negro no samba canta e retrata o entendimento que havia em determinado período, de uma visão tradicional, às vezes patriótica e com apagamentos e, hoje, com mais conhecimento de assuntos próprios da negritude, suas visões e saberes transnacionais. Os sambas, seus compositores e a arte de compor são formas essenciais de propor o argumento que o sambista tem, capazes de balizar a opinião pública, criticar, debochar ou inventar seu próprio estilo, homenageando e se colocando como homenageado. Mais do que cantar um samba, o que fazemos em casa, nas quadras e na Sapucaí é falar o que a gente pensa.

Picture of Rafael Moreira

Rafael Moreira

Cientista Social formado pela UFRJ e Mestrando em Comunicação Social pela UFF. Também é candidato à dupla-titulação em Culturas do Sul Global na Universidade de Tübingen, Alemanha. Pesquisa o carnaval das escolas de samba e a sociabilidade negra através do samba-enredo. Compreende a musicalidade do samba como produto da inventividade negra e também como produtora de consciência, diante das tendências encontradas nos desfiles ao longo dos anos.
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Rafael Moreira

Cientista Social formado pela UFRJ e Mestrando em Comunicação Social pela UFF. Também é candidato à dupla-titulação em Culturas do Sul Global na Universidade de Tübingen, Alemanha. Pesquisa o carnaval das escolas de samba e a sociabilidade negra através do samba-enredo. Compreende a musicalidade do samba como produto da inventividade negra e também como produtora de consciência, diante das tendências encontradas nos desfiles ao longo dos anos.

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